Primeiro Automóvel da Cidade de Porto Alegre - 1906

Primeiro Automóvel da Cidade de Porto Alegre - 1906
Minha foto
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil

terça-feira, 26 de junho de 2018

PRIMÓRDIOS E EVOLUÇÃO DO AUTOMÓVEL EM PORTO ALEGRE - Um Pouco da História



O Primeiro Automóvel Chega na Cidade

      A história do automóvel em Porto Alegre se inicia em abril de 1906 quando Januário Grecco importa da Argentina um veículo, já usado, da marca francesa De Dion Bouton.
Fotografia de Virgilio Calegari


O Primeiro motorista da
cidade de Porto Alegre
    
     O carro não pode sair da Alfândega pois não havia quem soubesse dirigi-lo e ou manejá-lo adequadamente. Consta que somente depois de vários dias, alguém lembrou que havia um detento na Casa de Correção que era mecânico de profissão e que já tinha dirigido automóveis.


   Foi então providenciado o reboque – através de tração animal – do carro até o pátio interno do presídio onde foi colocado em movimento pelo detentoMarini G. Constanti, um imigrante italiano que havia sido preso por desordem e agressões. 

    Depois de algumas gestões junto ao chefe de polícia, foi permitido ao preso que saísse do presídio para dirigir o veículo. Marini, posteriormente, foi o motorista dos Grecco durante vários anos.
    

  
    Sem ter a mesma repercussão especial que o primeiro, outros veículos chegaram à cidade nos anos seguintes. Um deles foi também um automóvel De Dion Bouton, mais novo que o primeiro e no qual aparece o conhecido fotógrafo Lunara. Esta imagem foi publicada, inclusive por um jornal de grande circulação, como sendo o mesmo carro que primeiro chegou a cidade.
     
    Aproveitamos para esclarecer este equívoco, mostrando os dois veículos que tem em comum o fato de serem De Dion Bouton, mas apresentam visíveis diferenças.
Imagem de um De Dion Bouton no qual aparece sentado atrás
o conhecido Lunara ( de chapéu escuro). Os dois, sentados no
banco da frente, não são Januário Grecco e seu irmão,como foi 
publicado erroneamente em alguns veículos de comunicação

   

      O primeiro carro a rodar em Porto Alegre foi fabricado no inicio do Século XX (1900) e quando aqui chegou, já tinha sido usado na Argentina por alguns anos. O que aparece na fotografia na qual está Lunara, trata-se de um modelo mais novo (1902) e com várias diferenças em relação ao outro. 








   






A imagem da direita mostra o  modelo que foi importado por Januário Grecco e o da esquerda o mesmo modelo em que está Lunara. Observa-se com facilidade que não se trata do mesmo modelo. Faróis, paralamas traseiros e capota do motor são diferenças bem notáveis.





Os Primeiros Importadores

As fábricas de automóveis naquela época, eram todas europeias e americanas. Neste contexto, era necessário importá-los a custos elevados e enorme burocracia, além da demora que em alguns casos, chegava a mais de dois anos

     Algumas empresas passaram então a realizar importações de veículos diretamente das fábricas europeias e americanas, para vende-los - geralmente  sob encomenda  - aos clientes locais.

   Uma das grandes empresas importadoras daquela época foi a Bromberg. Tinha sua sede na Alemanha e os filhos do fundador - Martim Bromberg -  cuidavam dos negócios no Brasil. A Bromberg tinha filiais também em Pelotas e Rio Grande.
Waldemar Bromberg era um dos Diretores da Companhia no Brasil e filho do fundador Martim. Além de empresário, era também um aficcionado por esportes, principalmente pelo futebol que começava a ser praticado na cidade. 

Sobre isso uma curiosidade; ele foi o juiz do primeiro GRENAL realizado em Porto Alegre no dia 18 de julho de 1909.


   

    
    A Companhia Aliança do Sul, com sede em Porto Alegre foi outra empresa muito importante na importação de veículos nos primeiros anos do século XX. 
A Companhia não tinha acionistas individuais pois era, na realidade, um conglomerado formado por grandes empresas e bancos de nossa cidade a saber: Banco da Província, Banco do Comércio, Thomsen e Cia, Dreher e Cia, Eduardo Secco e Cia e Rudolph Ahrons e Cia entre outras.
   João Chardonay de Freitas foi o executivo eleito pelos acionistas para dirigir a Companhia que tinha uma grande estrutura incluindo loja, depósitos e um trapiche às margens do Guaíba.
Máquinas em geral, ferramentas leves e pesadas, ferros e outros metais, além de uma grande variedade de outras mercadorias para vendas no varejo, estavam entre os produtos importados pela Aliança do Sul
Na imagem da esquerda a parte interna do depósito no qual se observam muitos automóveis. Na imagem da direita, o depósito que ficava situado na Voluntários da Pátria nº 58-60

     
   Quem adquiria um automóvel importado naquela época, não tinha uma assistência técnica como se conhece nos dias atuais. Não existiam oficinas especializadas nem tampouco mecânicos que tivessem conhecimento específico sobre automóveis
As primeiras oficinas surgiram dentro daquelas empresas que já se dedicavam a consertos mecânicos como foi o caso dos estaleiros Daut, Só, Alcaraz e Mabilde, que fizeram vários reparos mecânicos em veículos importados. Os consertos de lanternagem (chapeação) eram mais facilmente resolvidos mas a parte mecânica, dependia da importação de peças ou então da fabricação das mesmas por aqui mesmo. O período mais crítico foi durante a Iª Guerra em função das dificuldades com a importação

Estas duas imagens ao lado são preciosas pois mostram a parte interna de uma oficina mecânica no longínquo ano de 1910. Não foi possível identificar o nome nem os proprietários, mas certamente trata-se de uma das primeiras surgidas na cidade.     

As duas fotografias são do Estúdio Ferrari e Irmão.



     Para se ter uma ideia, os custos naquela época para comprar um automóvel nestas condições, eram várias vezes superiores aos preços atuais de um carro de luxo e somente pessoas de grande poder aquisitivo conseguiam adquirir. 

     Dez anos depois da chegada do primeiro automóvel à cidade, o numero de veículos registrados era de apenas 231.

A Companhia Sul Ford


       A Companhia Sul Ford iniciou suas atividades em Porto Alegre no dia 18 de novembro de 1917 quando o contrato foi registrado na Junta Comercial. Como se observa, foi anterior a vinda da Ford para o Brasil, que somente aconteceu 2 anos depois. Estava ligada a Ford Motors Company Exports Inc. que era um escritório-filial da Ford americana no Brasil, destinado a mobilizar o mercado para a entrada definitiva da Companhia em 1917.

      A Sul Ford teve como fundadores James Buchi e Niels Lorentzen, ambos cidadãos americanos, que acabaram por se radicar na cidade tanto que Buchi, em 1925, chegou a exercer a presidência do Grêmio F. Portoalegrense.
      A  Sul Ford intermediava a importação de automóveis, tratores, peças e catálogos para aquelas empresas que desejassem ser um revendedor Ford em Porto Alegre ou em qualquer outra cidade do RGS.



     Este edifício, onde se localizou a Sul Ford, ficava na quadra atrás do Paço Municipal e ocupava a área onde hoje está o edifício Intendente José Montaury, onde por muitos anos, funcionou a Câmara de Vereadores e atualmente, abriga  secretarias da Administração Municipal.


    
     
      Os primeiros catálogos de peças de automóveis e tratores, foram fornecidos pela Cia. Sul Ford a partir de 1917. Este fato foi determinante para o desenvolvimento das oficinas, dos mecânicos e também para os revendedores que podiam realizar seus pedidos e repor os estoques com segurança. 


     A Sul Ford também mantinha um estoque de peças e acessórios para pronta entrega. Com isso, a grande maioria dos pedidos eram atendidos com maior rapidez, aumentando o índice de satisfação dos agentes e, principalmente, dos proprietários.

    A abertura de concessionárias Ford em Porto Alegre e também em várias cidades do interior do estado, teve na Sul Ford um fundamental apoio  técnico e comercial. 








      Podemos afirmar que a Sul Ford foi um marco para o desenvolvimento do mercado automobilístico em nossa cidade. A partir dela, as vendas de veículos deixaram de ser contadas em unidades e passaram às dezenas e milhares.
O quadro ao lado, mostra as vendas realizadas  pela Sul Ford nos primeiros oito anos de sua existência. Não foram computadas as vendas de tratores e outros implementos fornecidos pela Ford.



    A Ford chegou ao Brasil em 1919 quando abriu um escritório de importação em São Paulo para depois, em 1921, iniciar sua linha de montagem.





      A GM abriu sua montadora 4 anos depois, em 1925. 
      Convém lembrar que Porto Alegre adotava a chamada "mão inglesa" na circulação dos veículos e por isso os automóveis  Ford e Chevrolet vinham de Montevidéu e não das fábricas em São Paulo. Somente a partir de outubro de 1928, quando foi abandonada a mão inglesa é que começaram a chegar diretamente das montadoras no Brasil *.
*Contribuição do amigo Paulo Renner


A Fleck e Cia


Romeu de Leonardo Truda e Carlos Fleck eram os dois diretores 
da empresa e foram os responsáveis pelo grande crescimento da 
mesma.O prédio da Fleck foi demolido na década de 60 e em 
seu lugar foi construído um grande edifício ( Nºs 720 a 760)  
 que atualmente abriga uma agência bancária na parte térrea


    Fundada em Janeiro de 1922 esta empresa foi certamente uma das mais importantes do ramo automobilístico na cidade. Inicialmente ocupou um pequeno prédio na Praça XV de Novembro mas, depois de ano e meio, devido ao crescimento experimentado, mudou-se para a Rua 7 de setembro, em uma grande edificação que além da loja, tinha uma grande área nos fundos onde foram instaladas as oficinas e a fábrica de carrocerias. 
   Foi a primeira e mais importante revenda Ford do estado naqueles primeiros anos do desenvolvimento do mercado automobilístico. 
Na loja da Fleck , além dos veículos Ford, também eram encontradas peças, pneus e outros acessórios para qualquer tipo de veículo, além de tratores e implementos agrícolas
   
Seção de peças - ao fundo - e implementos agrícolas
  







   A venda de veículos, peças e acessórios não foi a única especialidade da Fleck porque em suas grandes oficinas, além da parte mecânica e de lanternagem, existia uma verdadeira fábrica de carrocerias para veículos de carga, ambulâncias, carros fúnebres e também das  famosas "jardineiras", que foram os primeiros ônibus a circular na cidade.
Fotografia 1 e 2 - Caminhões montados sobre carrocerias Ford e que foram encomendados pela prefeitura de Porto Alegre para serem utilizados na abertura da Avenida Borges de Medeiros e construção do Viaduto Otávio Rocha. As duas fotos são do Photo Stúdio Becker e foram tomadas em 1926.
Fotografia 3 e 4 - Ambulâncias fabricadas na Fleck sob encomenda da prefeitura de POA para serem utilizadas pela Assistência Pública Municipal - atual Hosp. de Pronto Socorro. A primeira ambulância motorizada da Ass. Pública Mun. de POA é a que aparece na imagem 4  que foi tomada na frente da agência da Fleck antes da entrega ao município em 1924.
A imagem 3 é de autor não identificado e a 4, de Virgilio Calegari
     A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e muitas prefeituras do interior do estado, encomendaram carros fúnebres  para a Fleck. As tres imagens mostradas ao lado são de alguns modelos que foram utilizados em Porto Alegre. Os carros brancos eram para crianças e o preto - foto superior D - era para adultos e foi o primeiro carro fúnebre motorizado a ser usado na cidade em 1925

   

Os primeiros Ônibus que rodaram na cidade de Porto Alegre passaram para a
história com o apelido de "Jardineiras". Eram carrocerias de madeira e metal,
montadas sobre chassis, primeiramente utilizando os modelos Ford T e, a partir
de 1929, o Ford Modelo A. Carregavam em média, 12 a 13 passageiros sentados
e tinham modelos totalmente abertos e também alguns fechados. A Fleck foi a
maior fabricante deste tipo de veículo e várias unidades foram comercializadas
para a capital, cidades do interior do estado e também de Santa Catarina. Na imagem
superior, a famosa jardineira que fazia viagens desde o centro da cidade até o
arrabalde da Glória tendo sido uma das primeiras produzidas na Fleck em 1925 bem
como uma das primeiras a rodar na cidade.
Nas imagens menores, cenas tomadas no centro de POA na qual aparecem algumas delas
.
     Como veremos mais adiante, a Fleck foi uma das fundadores da Companhia Geral de Acessórios - CGA - em novembro de 1925.


B. Garcia e Cia


     Fundada em fevereiro de 1922, a B. Garcia foi também uma das grandes revendas  de automóveis, tratores, peças e acessórios daqueles primeiros anos de desenvolvimento do mercado automobilístico.
    Aberta inicialmente como uma empresa individual por Boaventura Garcia, devido ao rápido crescimento, em 1923 entraram para a sociedade, Paulo Eichler e Edgar Franco. Sua primeira sede ficava na Rua dos Andradas nº 24, bem em frente a antiga Praça da Harmonia.

     Além de automóveis da marca Ford, tratores implementos agrícolas, acessórios, pneus e peças em geral, a B. Garcia foi também uma revenda Chevrolet a partir de 1925 quando a General Motors passou a montar veículos no Brasil.
    Pelo que conseguimos apurar, foi a primeira revenda Chevrolet da cidade.
O interior da Loja da B. Garcia vendo-se em primeiro plano o Chevrolet 1925 em exposição. 
A fotografia é de autoria de Eduardo Becker Filho
A sede do Setor de Propaganda da B. Garcia ocupou o
 edifício da esquina da rua Riachuelo com a Caldas Júnior.
Este edifício, apesar de ter sofrido algumas modificações
em sua estrutura, encontra-se preservado até os dias atuais


     

     Em 1924 a B. Garcia venceu a concorrência para a colocação de todas as propagandas nos trens do RGS. Este fato foi determinante para a criação da Companhia Geral de Acessórios  no ano de 1925 em associação com a Fleck e  Cia. Toda a parte referente a veículos, peças, acessórios e implementos, passou a funcionar na recém fundada CGA.
Abordaremos este assunto mais adiante nesta postagem



Laval, Bourliaud e Cia.

Paul Laval e Charles Bourliaud, cidadãos franceses que vieram para o Brasil trazidos pela Ford para trabalharem como mecânicos em São Paulo e RGS respectivamente, resolvem trabalhar juntos e montar sua própria concessionária. Com o apoio da Companhia Sul Ford, fundam, no dia 1º de março de 1922, a sua empresa e para tanto, alugam um grande espaço na rua 7 de Setembro nºs 24 e 26, onde, além da loja, também mantinham uma oficina na parte dos fundos, cujo terreno tinha uma entrada pela Rua Siqueira Campos (antiga Rua das Flores).
Este edifício onde se instalou a Laval, Bourliaud e Cia, foi demolido no final da 
década de 60 e atualmente, sob o nºs 630 - 670, encontra-se um grande edifício garagem

Lincoln Sedan 1925
         O rápido crescimento determina a admissão do sócio Armando Ribeiro (que em 1928, juntamente com Norberto Jung, fundaria a  revenda Ford Ribeiro Jung) com o consequente aumento do capital e ampliação da oficina. 

Saliente-se que todos os automóveis Lincoln que chegavam ao RGS para serem revendidos, eram montados por Paul  Laval e seu sócio Charles Bourliaud para depois serem  entregues aos agentes.



Pibernat de Carvalho e Cia / Ebling e Cia.
     
      Em maio de 1925, João Pibernat de Carvalho é nomeado agente Ford em Porto Alegre e para tanto, se instala em um edifício na esquina da Rua 7 de setembro com a Travessa Araújo Ribeiro onde, além dos escritórios e da loja, mantinha uma bem montada oficina de manutenção, reparos mecânicos e lanternagem. 
Seus sócios no empreendimento eram Tasso Correia e Francisco Ebling.



O sócio fundador Pibernat de Carvalho retirou-se da sociedade poucos meses depois da fundação e neste contexto, os dois sócios remanescentes fundaram a empresa Ebling e Cia, assumindo o passivo e os ativos da empresa anterior. 
Saliente-se que a retirada do sócio João Pibernat de Carvalho se deu na mesma época em que o mesmo assumiu a presidência do Grêmio F. Portoalegrense em um primeiro mandato, já que seria eleito novamente em 1947.
 A Ebling era a mais luxuosa agência Ford da capital pois além das oficinas e escritórios na 7 de Setembro, possuía amplos salões na parte térrea do antigo Grande Hotel na rua dos Andradas esquina com a Caldas Júnior (atual Shopping Rua da Praia).
 O edifício de nº 16 onde ficavam as oficinas e os escritórios da Ebling foi preservado, pertence atualmente  ao Banco Central  e tem o nº 586 da rua 7 de Setembro.


Companhia Geral de Acessórios Ltda - CGA

     A CGA surge da união de duas grandes concessionárias da cidade, a B. Garcia e a Fleck com a finalidade de constituir uma grande empresa de acessórios, baterias, pneus, câmaras de ar, óleos lubrificantes, tintas automotivas além de outros produtos e serviços que apareciam no mercado, aproveitando o crescimento do automóvel, que ocorria em uma proporção geométrica no mundo inteiro. O registro da nova empresa deu entrada na Junta Comercial no dia 1º de novembro de 1925.
     Pela Fleck o Diretor gerente foi Romeu de Leonardo Truda e pela B. Garcia o seu gerente geral de vendas, Frederico Bredendick. Ambos dirigiram de forma solidária a CGA em seus primeiros anos de existência.
      A sede da Fleck na 7 de Setembro foi o local onde se instalou a recém fundada CGA.
Além de se constituir como empresa destinada a comercialização de acessórios e serviços, obteve também a representação exclusiva para todo o estado de diversas marcas de produtos estrangeiros para qualquer marca de veículo.

O posto de serviços da CGA e algumas das marcas
de produtos importados comercializadas pela empresa
        A expansão levou a CGA a abrir, em 1935, um grande posto de serviços automotivos que além da venda de óleos, baterias, pneus e outros acessórios, realizava lubrificação, lavagem e geometria além de manter uma vulcanizadora. 
     Esta estrutura se localizava atrás do Posto Santos Dumont - apelidado pela população de "Posto do Avião" - e ficava na grande área onde hoje se encontra o edifício dos Correios na Siqueira Campos, bem atrás do Santander Cultural



O posto de serviços da CGA atrás do "Posto do avião"
durante a enchente de 1941


   A Companhia Geral de Acessórios encerrou recentemente suas atividades comerciais e durante mais de 65 anos, foi um grande revendedor autorizado Chevrolet. A empresa ocupou um prédio próprio na Rua Comendador Manuel Pereira nº 213, a partir da década de 50 mas teve filiais em outros endereços ao longo destes anos.
 Linck e Cia. Ltda.


   Fundada com a finalidade de importar e comercializar máquinas, equipamentos mecânicos e metais brutos, passou, a partir de 1923 a importar e comercializar, com exclusividade, os veículos americanos da marca Hudson. Sua sede se localizava na Rua dos Andradas nº 70 no mesmo local onde hoje se encontra um edifício de nº 461, próximo a esquina com a rua Gal. Portinho.

Manoel Dutra e Cia. Ltda.

A Manoel Dutra anunciava em revistas e jornais locais.
Na imagem, observa-se um aspecto interno da empresa
com um Rugby Durant em primeiro plano



   A empresa Manoel Dutra representava os automóveis  americanos Durant cujo dono, Billy Durant, pretendia produzir veículos para competir com a GM. A produção se iniciou em 1921 e foi até 1935 quando a empresa foi adquirida pela General Motors.
    Não tenho maiores registros desta empresa nem por quantos anos atuou na cidade.
Sua sede ficava na 7 de Setembro nºs 37 e 39. No mesmo local onde foi construído o edifício de nº 641, onde funciona a Corsan.






Ribeiro Jung S/A

Fundada em 1927 por dois grandes amigos, Armando Ribeiro e Norberto Jung, é ainda hoje, a mais antiga revenda Ford do Rio Grande do Sul e a segunda mais antiga do Brasil.
Armando Ribeiro era um grande conhecedor do comércio de automóveis e deixou a Laval Bourliaud e Cia., onde era sócio, para juntar-se ao amigo e grande piloto de corridas de carreteras, Norberto Jung. Uma parceria que durou o restante da vida de ambos e até hoje continua com seus descendentes que ainda dirigem a empresa.
Inicialmente comercializava várias marcas de veículos e peças mas, a partir de 1931, foi nomeada concessionária autorizada Ford. Portanto, a Ribeiro Jung  tem mais de 80 anos e nos últimos 77, permanece como revendedor Ford.
A Sonnervig de São Paulo, é a revenda Ford mais antiga do Brasil pois foi fundada apenas
dois meses antes da Ribeiro Jung.




A Grande Exposição Ford em Porto Alegre - 1925   


   Com a finalidade de incrementar as vendas e o conhecimento sobre as vantagens do automóvel, a Companhia Sul Ford e os seus diversos agentes, com o apoio da prefeitura de Porto Alegre, organizou uma grande exposição na cidade. O local escolhido foi o Parque de Exposições do Menino Deus, local onde já eram realizadas anualmente as Exposições  Estaduais Agropecuárias (atual Expointer) e onde se localiza a Secretaría Estadual da Agricultura na Avenida Getulio Vargas.
   Virgilio Calegari foi contratado pela Sul Ford para registrar toda a exposição e a ele devemos estes históricos, e raríssimos, registros fotográficos.
Imagem do Google Maps onde aparece, em pontilhado,
a área onde se localizou a Exposição Sul Ford



  

Foram convidados a participar todos as empresas interessadas e que de alguma forma estivessem ligadas a produtos da Ford - automóveis, tratores e implementos - bem como aquelas que trabalhassem apenas com acessórios, pneus, óleos lubrificantes e outros.

   Interessante observar, que mesmo aquelas concessionárias que revendessem outra marca de automóvel, também foram convidadas e podemos usar como exemplo a CGA e a Linck que estiveram presentes mas comercializavam, respectivamente, as marcas Chevrolet e Hudson. Isto pode ser explicado pela liderança absoluta da Ford que para se ter uma ideia, tinha 87% dos veículos registrados em Porto Alegre no ano de 1925.

    A inauguração ocorreu no inicio de  Novembro de 1925 e teve a duração 30 dias. A presença de público foi considerada excepcional pelos organizadores pois teve a fluência de grande público, inclusive de cidades do interior do estado.
Esta imagem de Virgilio Calegari foi tomada quando da inauguração da Exposição Sul Ford pelo Vice-Prefeito
Alberto Bins (com calça branca e chapéu na mão).  Entre os presentes, foi possível identificar alguns agentes:
  Charles Buchi (1), Carlos Fleck (2), Niels Lorentzen (3), Charles Bourliaud (4), Boaventura Garcia (5)
 e Paulo Eichler (6) 
Duas imagens mostrando o pórtico de entrada e parte da área de exposição. Um grande balão
com uma bandeira da Ford, foi colocado no interior e podia ser observado de muito longe e
com  grande destaque. O bonde Menino Deus deixava os visitantes bem na porta da exposição.
 Imagens de Virgilio Calegari


Pavilhão da Fleck na Exposição Sul Ford .
 Imagem de Virgilio Calegari
A grande revenda Fleck, esteve presente com seu estande e no qual se podia visitar o seu mais moderno lançamento, um Ônibus, montado sobre um chassis Ford T. Diferentemente das tradicionais "Jardineiras", este veículo era fechado, com portas e vidros retráteis - um luxo para a época. Várias destas unidades foram comercializadas pela empresa para serem utilizadas em viagens intermunicipais. Algumas delas rodaram em Porto Alegre fazendo as linhas para alguns bairros.
    A B. Garcia participou  mostrando os tratores e implementos agrícolas dos quais era agente para todo o estado. O espaço da exposição permitia que fossem feitas demonstrações de funcionamento dos vários equipamentos. 

Imagens de Virgilio Calegari



    Foi construída uma rampa com a finalidade de demonstrar a força dos veículos de carga montados sobre chassis da Ford. Também os automóveis podiam experimentar a subida.
      Na imagem, aparece um dos caminhões da Fleck que foram vendidos para várias empresas e prefeituras, inclusive a de Porto Alegre.
Imagem de Virgilio Calegari

        A Linck, entre outros produtos, comercializava automóveis americanos Hudson. Eram veículos  mais sofisticados  e de custo mais alto. O pavilhão da Link era bastante grande e no seu interior, podemos observar 5 veículos Hudson de vários modelos.
Imagem de Virgilio Calegari

      A recém fundada Companhia Geral de Acessórios também participou com dois pavilhões. Em um deles - o maior - mostrou o Chevrolet 1925 e no outro - menor - foram mostrados os produtos que ela representava com exclusividade para o RGS: Baterias Willard, Óleos  e Graxas Amalie, Pneus e Câmaras Goodyear, além das Tintas e Vernizes Automotivos  Murphy Varnisch.
Imagens de Virgilio Calegari

Pequeno estande da C.A.Berg  aparecendo,
bem à esquerda, um arado New-Racine.

Fotografia de Virgilio Calegari


 

     A C.A Berg e Cia não comercializava veículos e sim óleos e graxas lubrificantes da marca "Universal Lubricant" bem como das trilhadeiras e arados New-Racine, da qual era agente geral para todo o Brasil. A C.A.Berg tinha sua loja na rua 7 de Setembro nº 46, bem ao lado da Fleck.
Imagem de Virgilio Calegari












Nota do Autor:

     Esta postagem não esgota o assunto e nem de longe teve esta pretensão. Provavelmente muitos outros dados poderiam ser anexados a ela  mas os registros referentes ao assunto encontram-se diluídos em múltiplas fontes bibliográficas, instituições de guarda e acervos particulares. Foi exatamente isso que nos levou a aprofundar e pesquisar sobre o tema do automóvel e sua evolução na cidade de Porto Alegre. Entretanto, nossa percepção é de que ainda muito mais pode ser acrescentado e por isso, solicitamos aos leitores e seguidores que tiverem dados históricos e ou registros fotográficos, poderão enviar que publicaremos com os devidos créditos.
Abraços a todos      
ronaldo bastos
ronaldomarcos.bastos@gmail.com








Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário e e-mail!